EGO vs EGO

4 min de leitura

Paulo LeemaPaulo Leema
440

Uma imagem forte para uma reflexão ainda mais forte.

Nesta imagem, dois seres lutam até à morte. A cobra aperta o pescoço da águia, e a águia agarra o pescoço da cobra.

Nenhum quer largar, nenhum quer ceder.,

E, no fim, aquilo que parecia uma luta para vencer o outro transforma-se numa destruição mútua.

E aqui começamos a sago do EGO VS EGO.

Talvez seja assim que muitas das nossas relações terminam.

Podem ser relações amorosas, familiares, amigos até mesmo parcerias e negócios.

Não necessariamente porque deixámos de amar, admirar ou gostar.
Não necessariamente porque deixámos de nos importar.

Por vezes até por nos importarmos muito por algo ou alguém que queremos proteger.

Mas sendo assim, porquê que o EGO toma conta das nossas decisões?

E o ego, “ele” é astuto, e sabe muito bem mascarar-se de dignidade.

Sussurando nos nossos ouvidos usando os nossos auto aclamados motivos…

“Não deves pedir desculpa primeiro.”

“Depois do que ele/a te fez, não vais voltar atrás.”

“Deixa ele/a te procurar.”

“Se cederes agora, vais parecer fraco/a.”

“Ele/a tem de reconhecer que tu tens razão.”

E, sem percebermos, começamos a confundir humildade com humilhação e orgulho com dignidade.

Quantas pessoas estão hoje de costas voltadas, presas numa batalha silenciosa de resistência?

Uma sente-se injustiçada.
Outra sente-se magoada.

Uma espera que a outra dê o primeiro passo.
A outra pensa exactamente o mesmo.

E ambas sofrem.

Mas existe algo ainda mais complexo.

Às vezes, alguém finalmente consegue vencer o próprio ego.

Respira fundo, baixa a guarda, e diz: “me perdoa.”

E o que acontece?

O outro lado, ainda dominado pelo ego, recebe aquele gesto de humildade como uma oportunidade para atacar.

Em vez de acolher o pedido de perdão, cobra.

Em vez de ouvir, acusa.

Em vez de aliviar, alimenta mais a dor.

E aquela pesoa que teve coragem de baixar o próprio ego acaba ferida novamente.

É aqui que percebemos a verdadeira malícia do ego: ele não quer apenas ter razão.
Ele quer que o outro perca
e sofra mais.

Por isso que o ego é tão perigoso.

Porque ele pode transformar uma conversa numa disputa.

Um pedido de desculpas numa humilhação.

Um erro numa guerra.

Uma relação numa competição.

E duas pessoas que poderiam simplesmente conversar passam a lutar para decidir quem sofre mais, quem tem mais razão e quem deve ceder primeiro.

Mas afinal…

O que é o ego?

Eu acredito que o o EGO é uma forma de cegueira.

É vermos apenas a nossa dor.

A nossa versão.

A nossa razão.

E deixarmos de conseguir enxergar que, do outro lado, também existe alguém que sente, que sofreu, que interpretou as coisas de outra maneira e que talvez também esteja a lutar contra as próprias feridas.

Combater o ego não significa aceitar tudo.

Não significa permitir desrespeito.

Não significa abandonar os nossos limites.

Significa ter maturidade para perguntar:

“Estou a defender a minha dignidade ou estou apenas a alimentar o meu orgulho?”

Porque existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.

A dignidade coloca limites.

O ego levanta muros.

A dignidade sabe dizer “não”.

O ego precisa provar que está certo.

A dignidade sabe afastar-se quando necessário.

O ego precisa que o outro reconheça a derrota.

E talvez uma das maiores formas de liberdade seja esta:

não precisar vencer todas as batalhas e nem precisa de que o outro se justifique.

Não precisar ter a última palavra, apenas garantir que não se repita.

Não precisar provar que tinha razão.

Não precisar transformar cada ferida numa dívida.

Às vezes, libertar o ego é simplesmente dizer:

“Eu poderia continuar esta guerra.
Mas não quero mais.”

É pedir desculpa quando errámos.

É aceitar um pedido de desculpa quando o outro finalmente teve coragem de fazê-lo.

É ouvir antes de responder.

É reconhecer: “Talvez eu também tenha contribuído para isso acontecer.”

É escolher a paz sem confundi-la com fraqueza.

Porque existe uma leveza que só sentimos quando deixamos de carregar o peso de precisar estar sempre certos.

O ego aperta.
A humildade solta.

O ego pergunta:

“Quem venceu?”

A humildade pergunta:

“O que podemos salvar?”

E talvez essa seja a verdadeira batalha.

Não EGO VS OUTRO.

Mas…

EGO VS EGO.

E, algumas vezes, vencer não é derrotar o outro.

É conseguir libertar-se de si mesmo.

Pois a imagem da água e da cobra é na verdade o teu pensamento a causar dor o teu sentimento e o teu sentimento gerando mais sufoco aos teus pensamentos.

O que você pensa, você cria.

O que você sente, você atrai

E, o que você imagina, você vive.

E tu, concordas?

Já te libertaste?